Cientistas defendem que os desportivos são mais perturbantes 2011-08-09
Simon Goodson e Sara Pearson, da Universidade de Huddersfield, revelam que um jogo de vídeo desportivo é emocionalmente mais evocativo do que um violento.
Ao comparar a actividade cerebral dos jogadores participantes, a equipa de psicólogos compilou dados para géneros diferentes de jogos de vídeo para ver como certos eventos estimulam o jogador.
A ideia para a experiência deriva das opiniões divulgadas pelos meios de comunicação social de que a violência é estimulada por jogos de vídeo agressivos.
Segundo Simon Goodson, “existe uma suposição de que um jogo que não inclui qualquer tipo de violência não faz as pessoas agressivas. Mas basta olhar para as pessoas que jogam Tetris para observar como ficam chateadas”.
“Observámos um jogo violento e um jogo de condução e descobrimos que a condução fez as pessoas ficarem emocionalmente muito mais exaltadas do que o jogo violento, por isso decidimos analisar este facto. Assim, fizemos a mesma experiência numa escala maior e, de facto, descobrimos que a condução torna as pessoas mais exaltadas do que disparar contra alguma coisa”, continuou.
Para os cientistas gravarem e seguirem os padrões cerebrais à medida que eram estimulados pelos acontecimentos no ecrã, os jogadores usaram uma máscara facial coberta de pequenos eléctrodos.
Depois, “decidimos tentar um jogo de futebol porque nada evoca mais a nação do que o futebol", afirma Simon Goodson.
Segundo o investigador, “mais uma vez, um jogo desportivo fez as pessoas ficarem emocionalmente muito mais exaltadas e agressivas do que outros géneros”.
À medida que os jogos se tornam mais realistas o apego emocional dos jogares aumenta. No entanto, alguns jogos violentos ainda são tão superficiais que o jogador está menos ligado à acção no ecrã.
“Como os jogos de vídeo imitam coisas na vida real, experienciamos também mais emoções da 'vida real'. É por isso que a condução e o futebol são muito mais emotivos. Jogos de violência são algo que muitas pessoas não estão familiarizadas na vida real. Algumas pessoas relatam até que os jogos violentos os acalmam, quase relaxando-as”, explica Simon Goodson.
Os resultados da investigação refutam, de alguma forma, a suposição dos meios de comunicação social sobre jogos violentos. No entanto, a descoberta não é uma declaração de que os jogos violentos são inofensivos ou de que os jogos de desporto vão transformar as pessoas em assassinos em massa.
“Não é que as pessoas saiam e cometam actos de violência por causa dos jogos de vídeo. Nós simplesmente descobrimos que as pessoas ficam emocionalmente mais exaltadas e ligadas a jogos desportivos em vez de jogos de disparar contra tudo e todos”.